quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Entrevista a Cátia Faria




Cátia Faria é o estereótipo da atleta metódica, sempre consciente das suas responsabilidades e deveres para com a equipa, para com o treinador, e para consigo própria. Formada nas escolas do AVC, esta jovem é um exemplo de como com muito trabalho e dedicação é possível ser-se uma atleta de alta competição e ter sucessos nos estudos.

Com que idade é que iniciaste a prática competitiva do Voleibol e onde?
Foi aos 12 anos, no Académico Voleibol Clube (AVC) de Famalicão, onde fui campeã nacional em juvenis e juniores.

Achas que Voleibol ajudou no teu desenvolvimento enquanto indivíduo?
Sem dúvida que foi um factor determinante no meu desenvolvimento enquanto indivíduo. Tudo o que aprendi, tudo o que me foi incutido no voleibol está sempre presente no meu quotidiano. O voleibol ensinou-me a trabalhar em grupo, a respeitar e ajudar os meus colegas, a traçar objectivos e a lutar por eles, dando sempre o meu melhor, mesmo quando as coisas não correm tão bem. Criei um espírito de sacrifício muito maior. Por todos estes motivos, penso que o voleibol me tornou uma pessoa mais “forte”, muito mais capaz de enfrentar os desafios da vida.

Qual foi o papel da tua família no teu percurso enquanto atleta de alta competição?
A minha família de início não me encorajou e apoiou verdadeiramente, apesar de nunca me ter proibido de praticar do voleibol. Era difícil para eles compreender porquê que era necessário ocupar tanto tempo com o voleibol, já que desde o início sempre tive bastantes treinos. Preferiam que ocupasse o meu tempo com coisas que consideravam mais úteis, e isso é compreensível porque, como nenhum dos meus pais cresceu ou viveu dentro de um ambiente desportivo, não percebiam que o voleibol poderia proporcionar-me todas as coisas boas que até agora me aconteceram. Depois de terem percebido o quanto o voleibol era importante para mim, ai começaram a dar-me apoio, apesar de não ser um apoio incondicional.

Como é que surgiu a oportunidade de representares o SCBraga?
Surgiu este ano, quando decidi que não dava para continuar no AVC, devido há incapacidade em conciliar os estudos com o ritmo da A1. Foi então que surgiu a hipótese de vir para o SCBraga, o que me permitiu conciliar os estudos com o voleibol. Para além disso, este é projecto ambicioso e a equipa técnica actual é um garante de qualidade.

Relativamente ao processo de adaptação e integração na equipa, como o descreverias?
Fiquei surpreendida. Inicialmente estava receosa, porque entre o AVC e o SCBraga sempre houve muita competitividade, e não estava há espera de ser tão bem recebida como fui. Elas foram impecáveis, dando-me sempre apoio, pelo que me integrei muito rapidamente. Agora sou mais uma amiga.

A maneira como tu lidas com a pressão e a ansiedade antes dos jogos é algo que tu consegues trabalhar e treinar, ou simplesmente é algo com que apenas lidas na hora de entrar em campo?
Na verdade, sempre tive alguma dificuldade em lidar com a pressão e ansiedade antes e mesmo durante os jogos, principalmente quando era mais nova. Agora sinto-me bastante mais controlada, acho que sinto uma ansiedade saudável, sinto o nervosismo normal e necessário para a competição. Claro que há jogos e jogos, e quando são muito importantes, tenho mesmo que arranjar estratégias para me controlar mesmo antes do jogo, para que em campo nada interfira na minha prestação.

Agora que está terminado o Campeonato Regional e se iniciou a 1ª Fase do Campeonato Nacional, que balanço fazes da prestação da equipa e da tua individualmente?
Em relação à equipa, penso que estivemos bem. Obviamente que houve certos jogos em que fomos um pouco abaixo, mas acho que isso é normal e até fez bem à equipa, pois fez-nos aperceber onde poderíamos melhorar. Em relação a mim, não estou desgostosa, mas também não estou completamente satisfeita. Penso que sou capaz de fazer mais e melhor, mas se calhar o cansaço também me tem condicionado um pouco.

Quais são as tuas expectativas em termos competitivos para este ano?
Subir à A2 com o título de campeãs nacionais da segunda divisão.

Para muitos atletas de alta competição torna-se difícil conciliar os estudos com a prática desportiva. Como é que tu consegues gerir esta nem sempre fácil “relação”?
Posso dizer que não é nada fácil principalmente quando procuro obter bons resultados, tanto no voleibol como na universidade, o que nem sempre se torna possível, pois o tempo começa a ser escasso para tanta coisa. Penso que é muito difícil obter o rendimento desejado nos dois lados, apesar de dar sempre o meu máximo. Tento gerir sempre o meu trabalho, de forma a compensar os dois lados, lutando contra a exaustão e o cansaço nos momentos de aperto. É preciso determinação, espírito de sacrifício, muita vontade, e claro, muita organização para conciliar a pratica desportiva com os estudos.

Dentro em breve irás concluir a tua licenciatura. Como achas que o voleibol se irá encaixar na tua vida ao entrares no mercado de trabalho?
Apesar de ser um pouco pessimista relativamente a este assunto, gostaria de ter o meu trabalho, e no fim do dia jogar o meu voleibol, embora esteja consciente de que me será muito difícil conciliar ambos se o SCBraga estiver na A1

1 comentário:

carlos disse...

Parabens...a catia e uma atleta exemplar... so trara coisas boas ao sc braga. para ti catia um abraco e um beijo..e forca para concretizares os teus objectivos.. carlos silva, famalicao